estou a sair para o café. Sozinha ? claro que vou sozinha. vou aquele novo, junto à praia. a caminhada vai ser longa. e ainda não decidi se quero a chuva. a estrada a reflectir a fúria do céu, o cabelo molhado, a gotas frias a escorrerem-me pelas bochechas sempre tão quentes, a pele enregelada por baixo da camisola de lã. merda . uma carteira ensopada ! provavelmente vou optar pelo sol. os raios a baterem-me nos olhos, o respirar do riso das crianças, nos phones uma musica com cor. de qualquer das maneiras os pensamentos vão voar. agora pus-me a imaginar que num dos carros com que me cruzo vais tu. sou atacada pela histeria. essa que ja me traiu tantas vezes. tento esconde-la a todo o custo. aceno. nao sei se é da chuva ou do sol, mas pareces não me ver. quando começo a ponderar por-me em frente do carro, sorris. o sorriso que sempre me trouxe um calor na barriga. e continuas. agora tenho as mãos frias. e não é só da chuva. deixo-me guiar pelo sol até ao café qualquer coisa. cheguei. eu prefiro sentar-me naquele sofá. estás bem ? retiro da mala o caderno que a avó me deu e a caneta que nunca me falha. teimo em desenhar uma escada onde talvez nos sentemos um dia para falarmos das indecisões que da boca nos saem. queres um? não, apaga isso ! um dia destes temos que combinar um passeio. agora risco as nossas paredes quebradas, e sabes, não era suposto haver espaço para ti neste curto passeio.
1 comentário:
e continua com muito para me contar.
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