9.1.11

naquela tarde, depois que tu saíste, arrastei-me até ao sofá e deixei-me ficar. liguei a televisão , para a desligar desinteressadamente. abri o livro. lancei um olhar indiferente às palavras. e fechei-o. encostei-me, puxei a manta e parei. não estava a conseguir ver onde é que a tua conversa nos queria levar. (ainda agora não sei) sentia que as palavras é que estavam a tomar conta de ti , em vez de o contrário. a confusão em que transformas o meu pensamento quando te aproximas estava a soltar-se da tua boca. a tua boca sempre ávida mas paciente. agora confusa. não me atrevi a olhar-te nos olhos por muito tempo. é a minha fraqueza. mas tenho a certeza que me procuravas por entre as piscadelas. é que tu tens desses olhos que pestanejam muito quando estás nervoso. ou quando não tens a certeza do que estás a ouvir. para que saibas, também estou a pestanejar agora. e não estou nervosa. sempre fui de certezas, mas este jogo de dúvidas e hesitações para onde me trouxeste não me deixa desconfortável. mas depois de tantas palavras, quantas ficaram por dizer ? quando paraste, só fui capaz de te apertar as mãos. frias. aconchegaram-se nas minhas. quentes. um beijo no canto do olho. o calor na barriga. um sorriso. e partiste. e eu .. eu continuo no sofá!

1 comentário:

a louca da rita disse...

anda a escrever coisas estranhas. e a por fotografias ainda mais estranhas!