14.11.08

Recordar ou Viver !?

Escolher ao acaso um álbum da prateleira ou uma pasta antiga no computador. Abri-los. Contemplar, mais uma vez, todos esses momentos que tiveram a sorte de ficar eternizado em fotografia. O tanto que me dá prazer! Primeiro, o escolher ao acaso. Muito mais complexo do que seleccionar e não mais simples que tirar à sorte. Depois, o olhar para esses fragmentos de uma realidade que já foi a nossa e (revi)ver todos esses instantes prolongados. A verdade, confesso, é que, com a banda sonora adequada, as lágrimas até acabam por aparecer! Não porque eu seja uma pessoa sensível. Nem certamente só porque tenha saudades desses tempos. Decididamente, não porque me envergonhe deles ou tenha realmente pena que eles tenham existido. Pior, ficado registados. Não! Não é por isso! Ou talvez seja por tudo isso. Ou por coisa nenhuma. Mas nestas alturas, há saudade. Neste recordar, há nostalgia. E o certo é que há dias em que sabe bem deixarmo-nos levar pela nostalgia. Deixarmo-nos envolver pela melancolia. Sentir saudade até de tudo porque não passamos e das pessoas que não conhecemos (se isso for possível, é claro). Como é bom deixar que este sentimento e até a tristeza se apodere de nós e fazer uma pausa na luta diária que travamos para que o contentamento seja o pão-nosso de cada dia. Mas se recordar traz mágoa, saudade e tristeza porque é que o outro diz que “recordar é viver!”. Viver? Sempre me convenci de que viver a tristeza não é viver. Afinal o que está errado? Viver não é isso? Ser e estar feliz? Sentir-me feliz? Procurar essa felicidade? Construir essa felicidade? Mas então, se estamos a recordar, não estamos a viver. Estamos estáticos no mundo. A ver. A relembrar. Imóveis. Agarrados ao que passou. Parados. Sem agir. Sem construir. Quietos. A recordar. Só! Mas então e o viver? O que é que nos acontece nestas alturas? Não somos mais nós? Estamos vivos, mas não estamos a viver? Não! Acredito que não! Não estamos a construir a nossa felicidade, nem estamos a lutar por ela. Estamos a ser felizes. E é só isso. Felizes à custa do que passámos. Do que os outros nos fizeram passar. Do que quisemos dar aos outros. Do que partilhámos e construímos. Noutro tempo. Que também era nosso. Esta felicidade, quando sentida pela segunda vez poderá ser uma felicidade menor, menos importante? Não sei! Não quero saber. Desde que me continue a deixar ficar feliz, e me faça esquecer, por instantes o que é que estou aqui a fazer, para mim serve! E quanto à tristeza que fica quando percebemos que esses momentos desapareceram e não voltam mais, garanto-vos que passa. Esquecemo-la quando voltamos para as nossas vidas ocupadas atrás da eterna felicidade, (que afinal pode estar bem perto, mas se, e só se, essa situação já tiver passado)!
E não, não concordo quando ele diz que recordar é morrer, porque só recorda quem já não tem nada no presente e precisa de se agarrar ao passado, acabando por deixar a vida passar-lhe cada vez mais ao lado. Recordar pode ser perigoso. E eu não sei se é viver. Mas é bom. Sabe-nos bem. Deixa-nos a sorrir. E não é esse o objectivo de tudo isto?

2 comentários:

Anónimo disse...

é sim sinhora :p

disse...

Adorei o que escreveste. É mesmo isso :)